Buscar
  • Fr. Joaquim OSC

Paradoxo da vida

Como entender a vida? Quando exatamente morremos? Existe vida após a morte? Se vamos viver após a morte então, porque morremos?

São perguntas difíceis de serem respondidas, reflexões que alcançam o cume de nosso conhecimento e ainda sim encontram duvidas no lugar de respostas. Eu mesmo lanço uma pergunta ao invés de uma resposta: Será que já não encontramos uma resposta, no entanto não é a que nos agrada e por isso não nos conformamos? De fato, é uma possibilidade, mas prefiro deixar que você mesmo encontre a resposta. Há uma resposta diferente para cada um a seu modo? Certamente não, mas é o que cada um tem buscado desde a sua existência: respostas que contemplem seus anseios particulares. E a verdade, como fica? Criamos nossas próprias Verdades o tempo todo?

Para tentarmos entender melhor precisamos distinguir a vida e a morte. Existe diferença entre a vida e a morte? Para alguns essa diferença pode ser maior que a distância dos hemisférios sul e norte do nosso planeta, mas para outros ela nem existe. Que loucura! O fato é que começamos a morrer exatamente no dia em que nascemos. Talvez nossas primeiras lagrimas e gritos que expressam o sinal de uma nova vida sejam, nada mais e nada menos, que um sinal de que começamos a morrer naquele exato momento. Como assim? Ao iniciar a vida começamos a morrer? Isso mesmo! Se para você viver é apenas aproveitar cada dia com as milhares de oportunidades de sentir prazer que ele traz, então sim, você está morrendo desde que chorou pela primeira vez.

A morte é tão natural quanto respirar. Não vivemos sem morrer. Essa frase pode ser impactante e difícil de ser engolida, mas espero que ao terminar de ler você tenha uma boa digestão. Feliz daquele que valoriza a vida além de um dia feliz. Diferentemente da vida, a morte tem o fim em si mesma. Aquele que morre não morrerá nunca mais. Ao mesmo tempo a morte é totalmente dependente da vida. Só pode morrer aquele que estava vivo. Mas e a vida? Bom aquele que está vivo, mesmo que esteja morrendo a cada dia e predestinado a morte, vive cada dia mais. Se cada amanhecer é um sinal de que continuamos vivendo, cada anoitecer é um aviso de que estamos mais próximos do fim.

Mas, o que é o fim se não um belo recomeço? Parece estranho dizer isso, mas se ao nascer começamos a morrer e morremos enquanto vivemos, é ao morrer que começamos a viver. Tudo aqui passa e o que mais nos aterroriza, a morte, é o nosso passaporte para uma vida totalmente livre dela. Já se imaginou livre da morte? Com certeza sim, mas não da maneira correta. Quantos de nós já sonhou com a imortalidade para vivermos tudo aquilo que queremos neste mundo? Isso é impossível! Viver a imortalidade sonhada pelos homens é viver morrendo a cada dia. Uma vida livre da morte é livre de todo tipo de egocentrismo. A vida livre da morte é uma vida livre do pecado.

O nosso tempo é curto. O nosso primeiro choro, sinal de vida e premissa da morte, é sinal de que não sabemos quanto tempo temos antes de morrer e se queremos viver precisamos aceitar a morte. Não é possível negociar com a morte, no entanto, podemos vence-la. E ao contrário do que soa essa frase não é lutando que vamos vence-la e sim abraçando-a. Quando aceitamos que viver é caminhar para a morte, não como fim, mas início da vida, entendemos que em nossos dias mais dolorosos estamos vivendo também. A morte não é fim, mas o início! Não podemos viver cada dia como se fossemos morrer amanhã, aqui falo como se a morte fosse o fim de tudo. Precisamos viver moderadamente, não almejando as riquezas deste mundo, pois quanto maior a riqueza deste mundo maior a sua ligação com a morte, com o fim. Nossos anseios devem ser baseados nas coisas imperecíveis das quais só nos serão acessíveis depois da morte, ao iniciamos uma vida livre do pecado onde não voltaremos a morrer.

O caminho para alcançar tudo isso? A Cruz! É com muita alegria que digo: Somente abraçando a Cruz é que viveremos. Nela Cristo morreu, mas vive para que possamos viver com Ele livres do pecado e da morte. Mas essa não é a resposta que muitos procuram encontrar e por isso preferem dizer que são perguntas além da nossa capacidade reflexiva. Tem razão, aqui falamos de algo transcendente, mas também falamos de algo acessível a nossa humanidade não por nossos méritos e sim pelos méritos de Cristo, filho de Deus que experimentou a Kenosis, o esvaziamento da vontade própria e a aceitação do desejo divino de Deus. Jesus, Deus que se fez homem, experimentou a Kenosis desde o seu primeiro choro, o nascimento, onde ele começava sua vida humana e desde já caminhava para a morte, até a cruz onde tudo termina e tudo começa. Espero um dia experimentar a dor da morte e que ela tenha sabor de vida eterna!

18 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo
 

(35) 99859-7104

Brasil

  • Facebook
  • Instagram

©2021 por Fr. Joaquim, OSC.